No Brasil, o nome de Calabar ficou definitivamente associado à idéia de traição. Ele se transformou, entre nós, no símbolo maior dessa triste prática que tanto avilta o ser humano. Infamante, por isso, foi à morte que lhe deu o general português Matias de Albuquerque, irmão de Duarte Coelho de Albuquerque, donatário da capitania de Pernambuco: depois de garroteado, seu corpo foi esquartejado e seus restos expostos à curiosidade pública, espetados em estacas, como exemplo de efeito didático horripilante sobre o que deve acontecer a quem trai.
Mas, quem, efetivamente, foi Calabar? Domingos Fernandes Calabar foi um mameluco originário de Porto Calvo, povoado pernambucano onde, por coincidência, veio a morrer. Educado por jesuítas, tornou-se um brilhante combatente, direta ou indiretamente responsável por praticamente todas as vitórias dos holandeses sobre os defensores do território brasileiro no período entre abril de 1632 e julho de 1635. O próprio Calabar, em carta a Matias de Albuquerque, após sua passagem para os holandeses, se defende: "Depois de ter derramado meu sangue pela causa da escravidão que é a que vós defendeis ainda, passo para este campo, não como traidor, mas como patriota, porque vejo que os holandeses procuram implantar a liberdade no Brasil, enquanto os espanhóis e portugueses cada vez mais escravizam o meu país: como homem tenho o direito de derramar o meu sangue pelo ideal que quiser escolher; como soldado, tenho o direito de quebrar o juramento que prestei enganado".
A História sempre é escrita pelos vencedores. Os principais autores da história de Calabar representavam o poder político e religioso que ele ousou enfrentar e cujo ódio granjeou. Entretanto, passado o tempo, consultadas outras fontes, novos fatos emergem, possibilitando uma compreensão mais ampla do homem e de sua circunstância.
À luz desses elementos, deixo com você aluno a reflexão e a decisão final: foi Calabar um herói ou um traidor?
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